Leio sempre por aí a palavra sobrevida. E nunca, repito, NUNCA é algo realmente positivo ou que traga um sentido real de algo que é muito bom.
Correndo os olhos pelos lugares onde ela aparece, a palavra sempre quer dizer algo básico : Algo que devia estar morto, porém por algum motivo continua a viver.
E o drama da sobrevida vai muito além das pessoas desenganadas pelos médicos ou dos que simplesmente continuam vivos por uso de remédios. A pior sobrevida é de quem não tem data para morrer.
Eu explico : A filosofia explica que nós vivemos um estado de negação constante. Do quê ? Da morte.
Porque a partir daquele dia em que você presenciou a primeira morte de um ente querido, ou de algum animal de estimação e se colocou a entender que essa vida tem um fim, você já sabia : a vida acaba, e, se acaba pra ele, acaba para mim.
Daí a negação. A gente mascara os sentimentos de medo, da chance de falecer a qualquer minuto e leva uma vida ordinária e sem princípios. Não que eu queira pessoas trancadas em casa, amedrontadas, refugiadas segundo a segundo do mundo de fora. Entretanto a gente deve lembrar do que nos espera, e antes de tudo, encarar isso.
Mas a gente tem que pesar, e cada um carrega uma balança diferente.
Não é que quem se encontra em sobrevida, saiba a exata hora de seu fim. Mas aí é que surge o fim da negação.
Mas oras, a vida toda eu já sabia que a vida toda ia chegar ao fim. Mas agora a realidade me deu uma doença e jogou em minha cara a verdade que eu não queria saber: Eu tenho um prazo.
Então talvez seja hora, de viajar. De correr descalço pelo mundo, sem medo de se sujar em qualquer coisa.
Talvez seja hora tentar mudar de vida, e dar mais risos pras pessoas lembrarem de mim assim na minha despedida. Talvez seja hora de amar no primeiro olhar, talvez seja minha chance de odiar assim que eu quiser...Talvez seja só a hora de parar de me preocupar tanto. Olhar para meus filhos crescendo, para meus pais se cobrindo de rugas, para meus amigos que viajaram longe e não passam de boas memórias...
Mas a gente não pode esperar alguém de roupa branca nos alertar , que a vida não é infinita. Que não somos como Peter Pan voando sem envelhecer pelo mundo.
É fato que todos nós iremos. Talvez daqui a dois minutos, talvez daqui a duas décadas, talvez em um mês.
Então, olhem só, já estamos em sobrevida.
Já temos um prazo.
Já é hora de abraçar sem se importar com estereótipos.
Hora de se cuidar, de cuidar dos outros.
Sempre é hora de viver melhor. E que, se hoje for nosso último dia, talvez seja nossa última chance de fazer cada momento valer a pena.
Desejo uma ótima sobrevida a todos vocês.

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