Você chega em casa. Tira a roupa do dia e coloca em algum lugar do quarto. É tarde pra se preocupar em arrumar.Você chega tarde, tira a roupa do dia , coloca pela casa. Vai pro quarto.Está preocupado demais pra arrumar.Já é dia, você sai do quarto sem roupa, anda pela casa, volta pro quarto.Sem tempo pra arrumar.
Depois de cada coisa, vem outra coisa.
E nunca para, nunca mesmo.
A desordem machuca. Fere. E passa despercebida.
Até que já é tarde demais.
Temos uma mente só. Que dividimos entre tudo que nos cerca.
Até criamos espaços separados para o pessoal do trabalho, o pessoal da rua, o pessoa da academia...
Uma cabeça cheia de divisões, pequenos compartimentos de emoções e pensamentos independentes uns dos outros.
Dentro da engrenagem, como em qualquer outra, algo as vezes dá errado. E pode nem ser culpa sua.
Assim, o amor vai mal, o trabalho de repente não está certo, a faculdade exige muito e os amigos, ahhh, os amigos não estão ajudando mais.
Um universo perfeito, rompido por forças de fora. Triste né?
O bom de vocês estarem lendo isso é a revelação : esse universo nunca está perfeito.
Porque mesmo que você morasse sozinho, em um quarto branco, sem amigos e sem necessidades nenhuma, você não estaria perfeito.
Porque somos seres de atrito. Sem ele não vivemos.
No meio do atrito: a vida.
E o atrito que vem da própria vida, que nos dá a vida, o mesmo atrito que atrasa a vida.
E tudo que passa aí na sua cabeça , entra nas suas veias, escorre pelos seus atos e se torna....DESORDEM.
Linda e maravilhosa.
É só você olhar em cima da mesa agora. Olhar para trás e ver a desordem instaurada nesse cômodo em que você está.
Cada objeto fora do lugar, cada peça de roupa, cada coisa deixada de lado , cada ao seu redor, aí, sinalizando o atrito da vida.
As divisões de sua cabeça, cheias de pequenas regras internas, cheias de linhas traçadas entre os rostos e os lugares conhecidos, bagunçadas como se um gato de rua qualquer tivesse entrado aí e se divertido com um rolo de barbante..
E tudo que nós conseguimos é expor a desordem pra nós mesmos, ao nosso próprio redor.
E eu vejo amigos aqui e por ali, perdendo longos dias de sua vida arrumando a bagunça externa.
A ordem nasce de dentro. Não adianta jogar fora tudo que é pequeno, tudo que te cerca. Não adianta se desfazer de tudo que é físico, o problema é interno, é mental.
Não adianta sair do trabalho, terminar relações, trancar a faculdade... a ordem depende só de você.
Perdidos em tantos relacionamentos, esquecemos que o que mais importa é nossa própria satisfação.
Nossa própria vida.
Ao invés de parar um dia todo e arrumar toda a desordem, tire um dia pra você, encha os cômodos da sua mente com aquela música que você tanto gosta, seja feliz sozinho um pouco.
Quando a desordem de dentro sumir, a desordem de fora não vai mais existir.


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