sexta-feira, 20 de julho de 2012

(Des)ordem

Você chega  em  casa. Tira a roupa do dia e coloca em algum lugar do quarto. É tarde pra se preocupar em arrumar. 
Você chega tarde, tira a roupa do dia , coloca pela casa. Vai pro quarto. 
Está preocupado demais pra arrumar.
Já é dia, você sai do  quarto sem roupa, anda pela casa, volta pro quarto.
Sem tempo pra arrumar.



Depois de cada  coisa, vem outra coisa.
E nunca para, nunca mesmo. 

A desordem machuca. Fere. E passa despercebida. 
Até que já é tarde demais. 


Temos uma mente só. Que dividimos entre tudo que nos cerca. 
Até criamos espaços separados para o pessoal do trabalho, o pessoal da rua, o pessoa da academia...
Uma cabeça cheia de divisões, pequenos compartimentos de emoções e pensamentos independentes uns dos outros.

Dentro da engrenagem, como em qualquer outra, algo as vezes dá errado. E pode nem ser culpa sua. 
Assim, o amor vai  mal, o trabalho de repente não está certo, a faculdade exige muito e os amigos, ahhh, os amigos não estão ajudando mais. 

Um universo perfeito, rompido por forças de fora. Triste né?
O bom de vocês estarem lendo isso é a revelação : esse universo  nunca está perfeito.

Porque  mesmo que você  morasse  sozinho, em um quarto branco, sem amigos e sem necessidades nenhuma, você não estaria perfeito.

Porque somos seres de atrito. Sem ele não vivemos. 


No meio do atrito: a vida. 
E o atrito que vem da própria vida, que  nos dá a vida, o mesmo atrito que atrasa a vida. 
E tudo que passa aí na sua cabeça , entra nas suas veias, escorre pelos seus atos e se torna....DESORDEM.

Linda e maravilhosa.

É só  você olhar em cima da mesa agora. Olhar para trás e ver a desordem instaurada nesse cômodo em que você está.
Cada objeto fora do lugar, cada peça de roupa, cada coisa deixada de lado , cada ao seu redor, aí, sinalizando o atrito da vida. 

As divisões de sua cabeça, cheias de pequenas regras internas, cheias de  linhas traçadas entre os rostos e os lugares  conhecidos, bagunçadas como se um gato de rua qualquer tivesse entrado aí e se divertido com um rolo de barbante..  

E tudo que nós conseguimos é expor  a desordem pra nós mesmos, ao nosso próprio redor.

E eu vejo amigos aqui e por ali, perdendo longos dias de sua vida arrumando a bagunça externa. 

A ordem nasce de dentro. Não adianta jogar fora tudo que é pequeno, tudo que te cerca. Não adianta se desfazer de tudo que é físico, o problema é interno, é mental. 

Não adianta sair do trabalho,  terminar relações, trancar a faculdade... a ordem depende só de você.

Perdidos em tantos relacionamentos, esquecemos que o que mais importa é nossa própria satisfação. 
Nossa própria vida. 

Ao invés de parar um dia todo e arrumar toda a desordem, tire um dia pra você,  encha os cômodos  da sua mente com  aquela  música que você tanto gosta, seja feliz sozinho um pouco. 

Quando a desordem de dentro sumir, a desordem de fora não vai mais existir. 



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