quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A morte no caminho de volta


Vou escrever algo que vivi em uma viagem de volta pra casa. Pode ser uma história meio longa, não comece a ler se não tiver certeza de que vai até o fim. É um texto bem particular, algo que senti mesmo quando me deparei com o que vi. 



Percebi algo estranho quando o caminhão na minha frente começou a usar o pisca alerta. Alguns metros a frente já dava pra perceber a luz de viaturas da policia e alguns policiais andando de um lado pro outro da pista em meio a cones cor de l
aranja.Havia acontecido um acidente. Depois de andar mais um pouco com o carro, já consegui ver o carro prata em cima do guincho, com a lateral esquerda totalmente destruída. Não havia mais o motor. Do outro lado da pista, um caminhão estava na horizontal, com o lado do motorista sem a porta e com um vermelho vivo que manchava os tecidos do banco e todo a área visível: era sangue.
Um pouco mais a frente um policial estava em pé, em frente a um corpo no chão. O corpo embalado , não deixava sinalizar se era um homem, uma mulher, um jovem, um velho. Enfim, naquele momento, era só um corpo. Essa foi toda a cena que pude ver. Mas existe algo nas imagens que todos nós vivemos, mas poucos percebem: elas podem até chocar quando vemos, mas todas elas remontam em nossa mente e nos fazem refletir, mais cedo ou mais tarde.
-Quem era o corpo? Qual foi a última lembrança que deixou? Era uma mulher que acabou de discutir com o esposo, desligou o celular e sofreu o acidente? Era um rapaz que acabou de terminar coma namorada, e estava correndo de volta pra casa? Era alguém feliz? Era uma vida cheia de promessas?Era um avô indo visitar seu neto? Um ladrão de carros? Era um amigo ansioso pra visitar algum outro?
-O interessante, não é a morte. Não é o drama, não. O interessante é a fragilidade da vida, a capacidade de "não existir" que nós carregamos em nossos corpos. O interessante é o que você fez hoje, e o que deixaria de recordação caso morresse nesse instante. Deixaria saudade? Ódio? Raiva? Alivio?Deixaria algum ser humano pensando em você?

-Parem de se importar com as pequenas coisas. Com o lixo da vida. Parem de sofrer por pequenas virgulas. Parem de se remoer por algumas palavras que machucaram, por algumas frases fracas. Vivam enquanto podem. Você só é você, enquanto vivo. No momento seguinte, será só isso : um corpo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

(Des)ordem

Você chega  em  casa. Tira a roupa do dia e coloca em algum lugar do quarto. É tarde pra se preocupar em arrumar. 
Você chega tarde, tira a roupa do dia , coloca pela casa. Vai pro quarto. 
Está preocupado demais pra arrumar.
Já é dia, você sai do  quarto sem roupa, anda pela casa, volta pro quarto.
Sem tempo pra arrumar.



Depois de cada  coisa, vem outra coisa.
E nunca para, nunca mesmo. 

A desordem machuca. Fere. E passa despercebida. 
Até que já é tarde demais. 


Temos uma mente só. Que dividimos entre tudo que nos cerca. 
Até criamos espaços separados para o pessoal do trabalho, o pessoal da rua, o pessoa da academia...
Uma cabeça cheia de divisões, pequenos compartimentos de emoções e pensamentos independentes uns dos outros.

Dentro da engrenagem, como em qualquer outra, algo as vezes dá errado. E pode nem ser culpa sua. 
Assim, o amor vai  mal, o trabalho de repente não está certo, a faculdade exige muito e os amigos, ahhh, os amigos não estão ajudando mais. 

Um universo perfeito, rompido por forças de fora. Triste né?
O bom de vocês estarem lendo isso é a revelação : esse universo  nunca está perfeito.

Porque  mesmo que você  morasse  sozinho, em um quarto branco, sem amigos e sem necessidades nenhuma, você não estaria perfeito.

Porque somos seres de atrito. Sem ele não vivemos. 


No meio do atrito: a vida. 
E o atrito que vem da própria vida, que  nos dá a vida, o mesmo atrito que atrasa a vida. 
E tudo que passa aí na sua cabeça , entra nas suas veias, escorre pelos seus atos e se torna....DESORDEM.

Linda e maravilhosa.

É só  você olhar em cima da mesa agora. Olhar para trás e ver a desordem instaurada nesse cômodo em que você está.
Cada objeto fora do lugar, cada peça de roupa, cada coisa deixada de lado , cada ao seu redor, aí, sinalizando o atrito da vida. 

As divisões de sua cabeça, cheias de pequenas regras internas, cheias de  linhas traçadas entre os rostos e os lugares  conhecidos, bagunçadas como se um gato de rua qualquer tivesse entrado aí e se divertido com um rolo de barbante..  

E tudo que nós conseguimos é expor  a desordem pra nós mesmos, ao nosso próprio redor.

E eu vejo amigos aqui e por ali, perdendo longos dias de sua vida arrumando a bagunça externa. 

A ordem nasce de dentro. Não adianta jogar fora tudo que é pequeno, tudo que te cerca. Não adianta se desfazer de tudo que é físico, o problema é interno, é mental. 

Não adianta sair do trabalho,  terminar relações, trancar a faculdade... a ordem depende só de você.

Perdidos em tantos relacionamentos, esquecemos que o que mais importa é nossa própria satisfação. 
Nossa própria vida. 

Ao invés de parar um dia todo e arrumar toda a desordem, tire um dia pra você,  encha os cômodos  da sua mente com  aquela  música que você tanto gosta, seja feliz sozinho um pouco. 

Quando a desordem de dentro sumir, a desordem de fora não vai mais existir. 



terça-feira, 3 de julho de 2012

Música 1- Birdy


É a primeira vez que falamos de música por aqui. E depois do gélido período sem postagens, é uma boa forma de retomar a rotina...

E vamos de Birdy  .


A garota é inglesa, (terra com bom histórico musical) e tem só 17 anos. 



O nome vem de pássaro apelido que ganhou desde pequena, porque claro, cantava muito  bem.Não. Porque abria a boca pra sua mãe lhe dar comida, assim como os pequenos pássaros....

                                     

Seu primeiro disco é de novembro de 2011, e, em meio a covers muito bem feitos como "1901" e “Skinny Love”   , o disco ainda tem suas próprias composições.

Birdy canta inocência .Começando com seus clipes, gravados com uma leve tristeza acompanhando suas batidas no piano e arranjos leves. 

Ela pode passar por aquele processo de "encontro musical " que se vê por aí em cantores muito jovens,  onde , depois de algum tempo muda-se o estilo, muda-se o padrão...

Ouvir Birdy vai te levar pra algum lugar que muito lhe agrada. Desses lugares onde não se pode mais ir fisicamente, lugares em que você escreveu sua história,lugares em que você  apagou parte dela. 

Lugares que devem mesmo ser visitados com frequência. 

Gostou de Birdy?



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Lúcia 1- chuva




Se fosse verdade  que correr na chuva é ótimo, ninguém ficaria doente no dia seguinte. Não haveria lama e  nenhuma sujeira.Eu  não sentiria os pés gelados e  molhados dentro de meias que fazem  um barulho chato enquanto ando, agora que a chuva terminou.
Se fosse verdade,  eu não estaria morrendo de frio, com os braços arrepiados. Mas esse é o problema da vida. As coisas se vendem. Eu sempre soube que correr na chuva tinha um lado  bom, mas nunca vi o lado ruim.


Meu nome é Lúcia.E eu vou contar algumas histórias.



É quase tarde.Quase noite.Esse horário em que as pessoas começam a sair correndo dos empregos pra chegar em casa rápido pra não fazerem nada. Esse horário.
Eu vi  o tempo escurecer durante o dia e não pensei em nada.Porque? Porque não somos acostumados a ver os sinais da vida, a ver as dicas do destino. Agora,com o cabelo molhado e essa coceira prestes a virar uma dor de garganta, eu penso que o dia me avisou o dia todo que ia chover.Agora tudo faz sentido. E essa mania de dizer que "agora faz sentido". Fez sentido o tempo todo, eu que não percebi.

Eu ainda tenho quatro quadras até chegar em casa.Ficar descalça  não é uma opção. Vou me virar com os pés ensopados até lá.A roupa colado no corpo  já começa roubar o calor. A chuva já é só uma garoa agora.

Existe um  cruzamento entre duas avenidas, o vai e vem é quase nauseante.Eu paro e espero o verde para pedestres, que vai levar uma eternidade.Um garoto de sinal, para do meu lado.Ainda  tem  na mão os três limões que balança  no ar pra ganhar umas moedas.

-Como foi o fim de semana?

Esqueci de avisar que  hoje é segunda.Esqueci de  avisar que tenho centenas de coisas pra fazer.Esqueci de avisar que esse garoto  me vê quase todo dia, mas nunca falou comigo.Esqueci de avisar que fiquei irritada o dia inteiro, e só quero chegar em casa e tomar um banho quente.

-Foi ótimo.

Ele é um garoto de rua.Eu não vou falar que a festa de sábado foi um caos.Que tudo que podia acontecer em quatros horas de uma noite, aconteceu em dobro. Não vou falar que eu bebi todas as bebidas coloridas que me apareceram na frente, e que não lembro de quinze porcento do que fiz.

-Que legal.Eu não fiz nada esse  fim de semana.Não deu

Eu olhei pra cara dele,sua bermuda  manchada e sua camiseta doada davam um ar de tristeza.Mas ainda queria saber pra onde ele iria.

Os carros, passam.Voam. Mas as pessoas não percebem que estão se arrastando.Se aglomerando como moscas ao  redor de açúcar, se confundindo entre outros iguais.Deixando de ser si mesmos.

-Hum..Porque não está com os limões, lá na frente dos carros?

-Eu canso de mexer os braços.

Acho que cansei de mexer os braços.

Quem eu engano? Mexi os braços o fim de semana todo, pra um monte de gente diferente.O guri  só quer uma moedas.Eu queria atenção. 

Eu moro sozinha. A cada gota de chuva que caia em  cima de mim, pensava em como ia ser um saco lavar essas roupas todas. 

O sinal abriu, eu andei mais  duas quadras e virei na terceira. Não tenho nada a perder agora. Fiquei descalça. Andei um pouco até uma praça ali perto e sentei em um banco ainda úmido.

Ninguem é bom em definir prioridades.Afinal o que são prioridades? O que é mais importante,  em que momento da vida? 

Nessa hora eu só quis sentar e ficar ali, vendo o desenho das pedras formando curvas bobas  em uma praça  que ninguem ia. Eu ia fazer o mesmo em casa de qualquer jeito. Estaria só do mesmo jeito. 

Agora eu só quero ser eu mesma.Estar comigo mesma. 

Eu vou morrer em alguns dias.Alguns meses.Alguns anos. Niguem me deu uma data, mas todos querem que eu tome cuidado.Acho que esse ódio da chuva, é de algo mais. 

Ódio de uma sensação que talvez seja a última vez que  eu sinta. Ódio de um  garoto  de  rua, que tranquilo,pode  abrir mão de  jogar seus limões pro ar,  pra tentar ganhar mais dinheiro.Eu não sei se vou ter limões amanhã.Não sei se  vou acordar. 


Eu  tirei a peruca molhada da cabeça e deixei a brisa fria e a garoa que insiste em  cair, gelarem minha pele.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A idade e a bondade



Dentro da sala vazia do velório o caixão de madeira barata era quase um monumento. Rodeada de pequenas margaridas,  com as  mãos sobre o peito, dedos cruzados e entrelaçados com um crucifixo, ela era quase uma obra de arte.Algumas velas queimavam ao lado, próximas a um cartaz com o seu nome e um retrato sem expressão, em preto e branco. Seu rosto, suas mãos e todo o resto do  seu corpo, cobertos de rugas. O tempo lhe foi amigo. Era uma velha falecida, que morreu sozinha.




Uma senhora com a mesma idade entra na sala, olha pra pessoa no caixão e fica ao lado, sem reação nenhuma.Alguns minutos mais tarde, uma outra chega, uma gorda senhora com seu  chapéu e fica do  outro lado do caixão.Elas não chegam a se  olhar.
Passam alguns minutos e uma outra senhora, magra e com olheiras, rosto sofrido, chega  e se coloca do  lado  da primeira.

As quatro com a mesma idade, conhecedoras do mundo, por obrigação.

A que chegou por último pergunta:
-São parentes dela?
Diante da negação das duas, ela começa:

-Eu a conheci muito menina. Ela nasceu rica, linda como essas manhãs de verão. Mas com todos, ela sempre agiu como uma manhã cinza, dessas  de inverno sabem?

As duas balançaram a cabeça.

-Seu pai , era patrão do meu.Ela abusava do seu poder,  e na sua maldade  infantil,me fazia como escrava dos seus desejos.Eu era a boneca  tonta que ela  nunca teria.Eu sempre reclamava pro meu pai, mas , em  tempos difíceis, ele me mandava esquecer o sofrimento.Ela tinha a péssima mania de usar os empregados, faze-los de  gato e sapato. Eu tive a minha infância destruída por essa mulher. Hoje eu vim até aqui, pra ter certeza que morrerei em paz.Sem a imagem do mal em minha memória.

As outras duas se entreolharam.

A senhora que chegou primeiro arranha a garganta.Olha pra outras duas e começa dizer:

-Ela foi minha vizinha, durante muito tempo. Toda a riqueza da família se foi  com  a morte do pai e os gastos mal calculados dos  irmãos.Ela era tão pobre  quanto eu. Na época,minhas filhas,ainda pequenas viviam brincando na rua de terra  em que morávamos.A vizinhança sempre a detestou.
Ela pausa e arranha a garganta novamente.

-Os animais da rua sumiam ou apareciam mortos envenenados por algo  que  ninguém sabia. As bolas que caiam no seu quintam eram furadas.As crianças tinham medo.

Ela olha pra outras duas e abaixa a cabeça.

A única que ainda não tinha falado nada , começa:
-Ela casou com meu irmão.

As outras duas fazem cara de espanto.

-Sim. Anos de casamento, nenhum  filho e uma vida quase desgraçada. Maldita o maltratava, fazia de gato e sapato. Não gostava da nossa família,dizia que a gente era do  "sítio". Chegou a bater na minha mãe. Foram pra longe um tempo atrás porque essa maldita o convenceu. Depois que ele morreu em um  acidente, ela voltou e ficou com a casa. Morou sozinha  até não aguentar mais.Não tinha  ninguém por ela, porque nunca foi nada  pra ninguém

As três estavam leves. Em pé em frente a um corpo gelado que não passava de uma encarnação  de más lembranças.Se abriram e acharam ali, um motivo pra se convencer que sempre estiveram certas.Que a velha morta em sua frente  nunca,em fase nenhuma  da vida,  passou de uma megera.

De repente uma moça de uns vinte  anos entra na sala, trazia de mãos dadas uma garota de seus oito  anos e a leva até a beira do  caixão.A menina coloca a mão no rosto da senhora deitada e faz o sinal  da cruz.Todos estão em silêncio. Ela olha com os olhos marejados pra todas ao redor e tenta um sorriso, mas não consegue.

A maior a leva até a sala de fora e volta pra conversar com as outras, de braços cruzados.

-Ela era uma boa senhora. Minha irmã  a chamava de "vozinha". Nós somos órfãs,moramos com um tio, vizinho dela. Ela chamava minha irmã uma vez por semana pra ajudar a fazer um bolo e quase todo dia  se sentava com ela na frente da casa pra contar alguma história da vida, ou só pra pentear seu cabelo.
Mudamos pra cá há uns seis meses mais ou menos,  mas nunca vi minha irmã se apegar tanto a alguém. Ela sempre  gostou dos desenhos que minha irmã levava...quando acharam o corpo, ontem a tarde, descobriram que eles estavam todos colados na parede do quarto...minha irmã está muito triste.

Ela sai da sala e vai abraçar a garotinha do lado de fora.

As três velhas se olham.

Quem poderá julgar alguém? Em que momento  da vida  você passou por essa pessoa? Talvez não tenha sido uma boa hora,  talvez nunca tenha sido.

As três se viram e saem pra fora do  velório, caladas,com um peso  em suas costas.

Tinham que sair, viver o que lhes restava. Não sabiam quantas pessoas as odiavam, nem quantas iriam chorar amanhã ou depois em seus caixões.

Sabiam que iam tentar fazer tudo da melhor forma, antes que fosse tarde  demais.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Essência






Me deparo todo dia com gente que resolve "mudar de vida". Gente que acha que passar da água pro vinho é tarefa fácil. Coisa banal..

Gente que se cansou de ser amável.
Gente que se cansou de ser rude. 
Que cansou de ser si próprio  e quer tentar vagar por outros ares.

O que eu queria saber : essa mudança existe? É  possível determinar uma fase na vida? E o mais importante de tudo... É possível mudar  sua essência?


Immanuel Kant um dia disse:  "Toda reforma  interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do  nosso próprio esforço."

 Estamos falando de mudança interior. E eu detesto discordar de filósofos (ainda mais Kant ), mas acho que parte dessa afirmação está errada. A parte que diz "Toda reforma...". Nem toda reforma vem de dentro.Nem toda mudança é um estalo, uma idéia, um insight. Nem todas são boas.

 Mudar o jeito de ser é tarefa árdua. Reescrever uma personalidade, recriar um modo de vida, repensar seus atos.Não é a toa que tratamentos psicológicos são demorados,intensos e quase sem resultados satisfatórios na maior parte dos casos.

Tive um  amigo, de infância (desse antigos, que depois de um tempo a única coisa que se tem em comum é o passado), que se arriscou pela parte cinza da vida. Quando criança, apesar de sempre nos darmos bem, ele era o personagem que causava medo, o vilão.
Bem, depois de alguns anos, teve uma filha não planejada. Casou.Criou responsabilidade. Mudou. Decidiu ser alguém diferente. Hoje,a menina com quatro  anos , é órfã de pai. Ele foi morto com cinco tiros,por razões óbvias, que quase ninguém quer enxergar.
Ele até havia mudado.Mas a sua ESSÊNCIA continuava a mesma. Não conseguiu desapegar de  algo que  havia em seu interior. Ninguém consegue. 


Outro caso,(não vivido) de alguém que é muito bondoso. Na maioria das vezes  essas pessoas  são enganadas, passadas pra trás, são abusadas das mais  diversas formas. Até que um dia alguém (amigo , parente, conhecido)lhe abre os olhos pro nosso mundo e essa pessoa decide mudar. Não se deixa  influenciar, não se deixa enganar...mas  por  quanto tempo? Até quando?Não demora muito até cair nas garras de um aproveitador qualquer... 


Não adianta.
 Por  mais  que a intenção seja boa, a mudança vinda de sim mesmo, como  uma ideia ,  não adianta. 

Como é dito no filme A árvore  da vida : "existem dois caminhos na vida, o da natureza e o da graça."

Essência é algo que  se cria com você. Cresce  com você e depois de um certo tempo, faz parte de você. 
É o que você é. É como você age defronte ao que o mundo  lhe joga na cara. 
Essência vai decidir, mais dia ou menos dia se você será bem sucedido ou somente  alguém frustrado.


Pois , sejamos secos conosco mesmo.
O que te faz mudar de ideia ? O que te motiva a tentar ser melhor? 
Qual situação nesse mundo te faz reagir?

Eu digo: infelicidade.

Alguém triste no emprego, vai procurar um outro que lhe atenda. Alguém triste com seu amor, vai  procurar um outro que lhe atenda. Alguém infeliz  com seu país, vai tentar mudar ,com  certeza. 

Essa felicidade (da qual já tratei aqui), invisível, inalcançável e estranha.   

A falta dela que te motiva. Pois nenhuma mudança é séria, se o ideal não for ser feliz. 


E "ser feliz" abre um leque de opções: ser rico, ser magro,ser casado, ser conhecido.
 E tudo isso relacionado com o  seu interior.
Tudo relacionado com o que você é e com o que você quer ser. 
Tudo isso relacionado com sua essência. 
Sua essência. 
É ela que controla tudo isso. 

É ela quem joga na balança os pesos,  os prós  e contras da sua vida. 

Mas então no fim, o discurso valeu-se apenas pra explicar um circulo vicioso? Pra mudar sua essência é preciso que sua própria essência esteja em desacordo com o que você vive no  momento. 

Sim e não. 
A ideia é mostrar pra você algo simples e totalmente inexplicável : Você jamais vai conseguir mudar sua essência,  mas sim, sua essência é quem vai mudar você.