Falar sobre (auto)Crítica me rendeu um grande trabalho. Escrever cada postagem é como ver um filme: Você assiste a algo, interpreta da sua forma e depois conta aos outros.Bom, nesse caso eu fiz oito tentativas. Isso mesmo. Oito.Oito textos diferentes, com palavras diversas, opiniões, impressões e pontos de vistas distintos.Oito.E nenhum me agradou.O texto que você começa a ler agora é o nono (e último), resultado de uma (in)descrição que o próprio tema me fez ter.
Narciso definhou as beiras de um rio admirando sua própria imagem. A lenda conta que ele se apaixonou por seu reflexo e não conseguiu mais parar de se admirar.
A verdade, segundo alguns contestadores, é que Narciso odiava a si mesmo. Nunca havia visto seu próprio reflexo e na ocasião em que viu pela primeira vez entendeu que tudo que havia agregado em sua vida era resultado de sua aparência perfeita. Segundo esta versão, Narciso definhou as margens do rio, olhando para si e tentando encontrar algum defeito, alguma falha que não o deixasse mais como um ser perfeito.
Fazemos o caminho oposto todo dia: Tentamos achar uma imperfeição, não para provar para os outros que não somos perfeitos, mas sim para corrigir e convencê-los disso.
Mas..porque?
A cobrança de si mesmo, só pra convencer aos outros a sua capacidade parece algo meio vago...Mas essa não é a real razão.
Não queremos provar que somos perfeitos...queremos ser aceitos, nos encaixar naquilo que o mundo julga perfeito.
E por isso dia após dia você se sacrifica e tenta fazer ao máximo tudo "correto".. pra agradar alguém da sua família, seu chefe, seu namorado(a), seus amigos , para agradar seus filhos... e vive nessa eterna cobrança própria pelo "bem feito".
Mas então a (auto) crítica é não é tão "auto" assim.
Cada um dos oito textos que escrevi poderia facilmente ser postado aqui ou em qualquer outro blog sob o mesmo titulo, falando do mesmo assunto. A minha insegurança não me deixou ver como eram bons.
O meu medo de não agradar não me libertou para colocá-los aqui.
E aqui, eu falo de textos apenas...
No dia de hoje, quantos textos você deixou de escrever só por conta do medo de não agradar aos outros?
Quantos desenhos jogou ao lixo só porque as cores não eram doces como todos querem?
Quantas palavras engoliu, somente porque os ouvidos ao redor ainda não estão preparados para ouvi-las...
Quanto de sua (auto)Crítica está sendo alimentada pelas opiniões ao redor...

Muito bem... tudo que fazemos é pra agradar..talvez é a hora de andar sozinho..
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