terça-feira, 19 de julho de 2011

Loucura

Um poderoso feiticeiro querendo destruir um reino, colocou uma poção mágica no poço onde todos os seus habitantes bebiam. Quem tomasse aquela água, ficaria louco.
Aos poucos a população foi se abastecendo da água em suas casas e foram enlouquecendo até que todos enlouqueceram. O rei – que tinha um poço só para si e sua família, onde o feiticeiro não conseguira entrar – tentou controlar a população. Baixou uma série de medidas de segurança e saúde pública, mas não havia mais policiais ou inspetores, pois eles também haviam bebido a água envenenada.
Quando os habitantes daquele reino tomaram conhecimento dos decretos, ficaram convencidos de que o rei enlouquecera, e agora estava escrevendo coisas sem sentido. Aos gritos, foram até o castelo e exigiram que renunciasse à coroa.
Desesperado, o rei prontificou-se a deixar o trono, mas a rainha o impediu, dizendo: “vamos agora até a fonte, e beberemos também. Assim, ficaremos iguais a eles”.
E assim foi feito: o rei e a rainha beberam a água da loucura, e começaram imediatamente a dizer coisas sem sentido. Na mesma hora, os seus súditos se arrependeram: agora que o rei estava mostrando tanta sabedoria, por que não deixá-lo governando o país?
O país continuou em calma, embora seus habitantes se comportassem de maneira muito diferente de seus vizinhos. E o rei pode governar até o final dos seus dias. ---Ao que consta - Paulo Coelho

É sempre assim.
É sempre assim no comportamento, nas idéias, nas atitudes, nas emoções, nas relações.

A maioria- seja ela louca ou não - acaba sempre por convencer aos demais de que estão corretos. Existe o péssimo de hábito permitir que coloquem vendas em seus olhos. Hábito esse que corrompe ideais, minimiza potenciais e simplesmente faz desaparecer a criatividade.

Mas não é um hábito imposto, obrigatório.
É um hábito adquirido por livre espontânea vontade...porque nenhum louco lhe trouxe a água.
Você decidiu beber.

Porque? 

Porque é melhor ser como todos? Livre de críticas, livre de argumentos, livre de INDIVIDUALIDADE?

Preserve sua sanidade. Cuide do seu "eu" pra que ele não se torne "vocês".

Tenha apreço por suas idéias, alimente os seus sonhos, carregue seus desejos nas palmas das mãos, como se fossem ouro.
 Não dê ouvidos aos estardalhaços que corroem o mundo e cegam as pessoas.

Você tem o dom de ser só você. 
Não siga, tenha seguidores.
Não peça, realize desejos.
Não chame, seja você a ser chamado.
Não beba da água da loucura.

O mundo vai precisar da sua sanidade.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

(auto)Crítica

Falar sobre (auto)Crítica me rendeu um grande trabalho. Escrever cada postagem é como ver um filme: Você assiste a algo, interpreta da sua forma e depois conta aos outros.
Bom, nesse caso eu fiz oito tentativas. Isso mesmo. Oito. 
Oito textos diferentes, com palavras diversas, opiniões, impressões e pontos de vistas distintos.
Oito.
E nenhum me agradou.
O texto que você começa a ler agora é o nono (e último), resultado de uma (in)descrição que o próprio tema me fez ter.
 
Narciso definhou as beiras de um rio admirando sua própria imagem. A lenda conta que ele se apaixonou por seu reflexo e não conseguiu mais parar de se admirar.
A verdade, segundo alguns contestadores, é que Narciso odiava a si mesmo. Nunca havia visto seu próprio reflexo e na ocasião em que viu pela primeira vez entendeu que tudo que havia agregado em sua vida era resultado de sua aparência perfeita. Segundo esta versão, Narciso definhou as margens do rio, olhando para si e tentando encontrar algum defeito, alguma falha que não o deixasse mais como um ser perfeito.

Fazemos o caminho oposto todo dia: Tentamos achar uma imperfeição, não para provar para os outros que não somos perfeitos, mas sim para corrigir e  convencê-los disso.

Mas..porque? 

A cobrança de si mesmo, só pra convencer aos outros a sua capacidade parece algo meio vago...Mas essa não é a real razão.
Não queremos provar que somos perfeitos...queremos ser aceitos, nos encaixar naquilo que o mundo julga perfeito.

E por isso dia após dia você se sacrifica e tenta fazer ao máximo tudo "correto".. pra agradar alguém da sua família, seu chefe, seu namorado(a), seus amigos , para agradar seus filhos... e vive nessa eterna cobrança própria pelo "bem feito".

Mas então a (auto) crítica é não é tão "auto" assim. 

Cada um dos oito textos que escrevi poderia facilmente ser postado aqui ou em qualquer outro blog sob o mesmo titulo, falando do mesmo assunto. A minha insegurança não me deixou ver como eram bons.

O meu medo de não agradar não me libertou para colocá-los aqui.

E aqui, eu falo de textos apenas...

No dia de hoje, quantos textos você deixou de escrever só por conta do medo de não agradar aos outros?
Quantos desenhos jogou ao lixo só porque as cores não eram doces como todos querem?

Quantas palavras engoliu, somente porque os ouvidos ao redor ainda não estão preparados para ouvi-las...

Quanto de sua (auto)Crítica está sendo alimentada pelas opiniões ao redor...